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Os bebés são hipermétropes

A hipermetropia na infância 

    A visão desempenha um papel crucial no desenvolvimento e aprendizagem das crianças desde os primeiros dias de vida. A hipermetropia faz parte dessa evolução normal de um recém-nascido com um desenvolvimento uterino normal.

Hipermetropia na infância: Fascinante processo de emetropização ocular

   Ao contrário do que se poderia pensar, as crianças não são emétropes (olho sem necessidade de correção) desde o nascimento. Muitas nascem com uma certa hipermetropia e passam então, pelo processo de emetropização ocular, fenómeno de extrema importância na visão infantil. 

   Os recém-nascidos frequentemente apresentam uma certa quantidade de hipermetropia fisiológica. O que significa que, em condições normais, a visão geralmente normaliza ao longo do tempo à medida que o olho cresce e se desenvolve, então, a isto chama-se processo de emetropização.

   A jornada visual das crianças, desde a hipermetropia até a emetropia, é uma fascinante área de estudo que merece a nossa e a vossa atenção.

1.1 A Curva de emetropização e valores normais de hipermetropia

    No momento do nascimento, os recém-nascidos frequentemente apresentam valores de hipermetropia, formando então, o ponto inicial da jornada visual em direção à emetropia. Então, durante esse período inicial, os olhos adaptam-se para focar eficientemente em distâncias mais longas, alinhando-se com as necessidades visuais iniciais do bebê, caracterizando uma hipermetropia fisiológica.

Intervalo de valores de hipermetropia no nascimento

    Ao nascer, é comum observar valores de hipermetropia na faixa de +2,00 a +4,00 dioptrias. Consideramos normal e benéfica essa hipermetropia inicial. Pois fornece uma margem para o crescimento do globo ocular e acomoda as mudanças naturais no comprimento axial que ocorrem nos primeiros anos de vida.

Evolução ao longo dos primeiros anos

    À medida que a criança se desenvolve, a hipermetropia diminui gradualmente. Durante os primeiros anos de vida a curva de emetropização entra em ação, guiando o olho em direção à emetropia, que é, o estado ideal de visão, sem a necessidade de correção ótica. Entre os quatro e seis anos, muitas crianças atingem valores próximos a zero ou mesmo uma pequena hipermetropia residual, marcando então, o fim desse processo inicial de emetropização.

Valores normais ao longo das fases da infância

    Conforme a criança cresce, os valores normais de hipermetropia continuam a evoluir, no sentido da sua diminuição. Em crianças de idade escolar, é esperado que muitas estejam próximas ou mesmo atinjam a emetropia. Valores de hipermetropia entre +0,50 e +1,00 dioptrias podem ser considerados dentro da faixa normal para esta fase. No entanto, é crucial reconhecer que a variabilidade individual existe, e nem todas as crianças seguirão exatamente a mesma trajetória na curva de emetropização.

Fatores influenciadores na emetropização

    Vários fatores podem influenciar a velocidade e a extensão da emetropização. Genética, ambiente visual, padrões de uso de dispositivos eletrónicos e atividades ao ar livre desempenham papéis significativos. Devemos dar atenção especial a crianças que apresentam desvios significativos da curva de emetropização, pois podem necessitar de uma avaliação optométrica mais cuidadosa e intervenção, se necessário.

Importância da monitorização regular

    A monitorização regular da visão durante a infância é crucial para identificar qualquer desvio da curva de emetropização e permitir intervenções oportunas. Exames de optometria periódicos, especialmente antes do ingresso na escola, são essenciais para garantir que a visão da criança esteja a desenvolver de maneira saudável e para intervir quando necessário.

    Entender a curva de emetropização e os valores normais de hipermetropia ao longo das fases da infância é fundamental para orientar pais, cuidadores e profissionais de saúde visual na promoção de uma visão saudável e no acompanhamento adequado do desenvolvimento ocular infantil.

 2. Hipermetropia infantil: Valores normais e o delicado equilíbrio da emetropização

    Determinar o momento apropriado para corrigir a hipermetropia em crianças é uma questão complexa que envolve a consideração e um conhecimento claro de valores normais específicos para cada faixa etária. Pois, devemos ponderar cuidadosamente a intervenção ótica, como o uso de óculos, para evitar comprometer o delicado processo de emetropização. No qual o olho busca atingir a emetropia ao longo do tempo.

Valores de hipermetropia saudáveis e tabelados

    Existem padrões de valores de hipermetropia considerados normais em diferentes idades infantis. Durante os primeiros anos de vida, é comum observar uma certa quantidade de hipermetropia fisiológica que, em muitos casos, diminui naturalmente à medida que a criança cresce. Tabelas de referência auxiliam os profissionais na avaliação dos valores aceitáveis de hipermetropia para cada faixa etária, fornecendo uma base sólida para decisões sobre intervenções corretivas. Se existir necessidade de correção é importante lembrar, que não se deve corrigir a totalidade da hipermetropia, mas somente o excesso para o valor de referência tabelado.

Compreensão do processo de emetropização

    O olho infantil passa por um processo dinâmico de emetropização, ajustando-se gradualmente para alcançar a emetropia, ou seja, uma visão ótima. A correção prematura da hipermetropia pode interferir nesse processo natural, impedindo então, o olho de realizar as adaptações necessárias para alcançar uma refratividade equilibrada.

Avaliações optométricas regulares

    A base para decisões sobre a correção da hipermetropia na infância deve ser estabelecida por meio de avaliações regulares. Portanto, exames detalhados, conduzidos por profissionais qualificados, levam em consideração não apenas os valores refrativos, mas também a dinâmica do desenvolvimento ocular da criança. Essas avaliações fornecem insights valiosos sobre a necessidade e o momento apropriado para qualquer intervenção corretiva.

Riscos da correção prematura

    Corrigir a hipermetropia antes que o processo de emetropização tenha ocorrido completamente, ou não ter em conta os valores de referência pode resultar em dependência de óculos desnecessária e, em alguns casos, até num aumento do desconforto visual. É essencial evitar a pressa na correção ótica e permitir que o processo natural do olho se desenrole, garantindo um desenvolvimento visual equilibrado.

Quando corrigir a hipermetropia infantil

Abordagem personalizada

    Cada criança é única, e os profissionais devem então, personalizar a abordagem para corrigir a hipermetropia. É crucial considerar não apenas os valores refrativos, mas também o histórico visual, o desenvolvimento ocular individual e a resposta da criança à correção. Isso garante resultados ótimos e minimiza impactos negativos no processo de emetropização.

    A decisão de corrigir a hipermetropia na infância deve ser guiada por avaliações optométricas regulares e uma compreensão cuidadosa dos valores normais de hipermetropia para cada faixa etária. Pois respeitar o delicado equilíbrio da emetropização é fundamental para garantir uma visão saudável e sem complicações ao longo do desenvolvimento infantil. Confie no seu optometrista e procure que o seu filho ou filha tenham um registo clínico que permita tomar as melhores decisões.

Diagnóstico e rastreio em idade precoce

    É crucial diagnosticar precocemente a hipermetropia excessiva, não fisiológica, em crianças para evitar complicações no desenvolvimento visual. Exames optométricos regulares, mesmo em idade precoce, podem ajudar a identificar qualquer anomalia visual. Existem hipermetropias que pelos seus valores elevados relativamente à curva de referência podem ser patológicos. Neste caso, a hipermetropia em excesso deve ser determinada e corrigida, garantindo então, o correto processo de emetropização e evitando qualquer possibilidade de ambliopia.

Sintomas e sinais em crianças 

    Se diagnosticar uma miopia infantil é fácil, pois existe perda de acuidade visual, na hipermetropia o mesmo não se pode dizer. Na hipermetropia nem sempre existe perda de acuidade visual, ou seja, por vezes a criança consegue ver bem para o quadro ou televisão, contudo consegue-o à custa de muito esforço acomodativo. Os pais e cuidadores devem estar atentos a sinais de hipermetropia excessiva em crianças, como, por exemplo, esforço excessivo ao focar, dor de cabeça frequente, dificuldade na leitura ou evitarem as atividades que requerem visão de perto. Na sala de aula geralmente são crianças que tem alguma dificuldade em se manterem concentrados nas tarefas exigidas.

Impacto no Desenvolvimento Cognitivo: A visão desempenha um papel crucial no desenvolvimento cognitivo das crianças. A correção adequada da hipermetropia pode contribuir para um melhor desempenho académico e um desenvolvimento mais saudável.

 Em resumo, a hipermetropia na infância e em recém-nascidos é uma preocupação importante que deve ser abordada precocemente. A consciencialização, o diagnóstico precoce e a intervenção adequada desempenham assim, um papel vital na garantia de uma visão saudável e no desenvolvimento global da criança.

Hipermetropia infantil e risco de miopia futura

    Contrariando a ideia de que a hipermetropia na infância é apenas uma fase passageira. Estudos indicam que mesmo crianças inicialmente hipermétropes podem também desenvolver miopia no futuro. Esta secção explora a correlação entre hipermetropia infantil e o potencial risco de miopia, ressaltando assim, a importância do acompanhamento contínuo da visão durante o crescimento da criança.

    A crença tradicional de que a hipermetropia infantil é uma fase transitória para a emetropia tem sido desafiada por pesquisas recentes que sugerem uma ligação entre hipermetropia inicial e o subsequente desenvolvimento de miopia. Então, essa descoberta intrigante destaca a complexidade do desenvolvimento visual e a importância do acompanhamento contínuo da visão durante a infância.

Correlação entre hipermetropia e miopia: estudos longitudinais têm revelado uma conexão entre as hipermetropias baixas (menores que os tabelados para a idade) da infância e um maior risco de desenvolver miopia mais tarde. Embora a razão exata dessa correlação ainda se esteja a ser investigada, os pesquisadores indicam que fatores genéticos, ambientais e comportamentais podem desempenhar um papel significativo nesse processo.

Mudanças estruturais oculares: a relação entre hipermetropia infantil e miopia futura pode estar relacionada a mudanças estruturais no olho ao longo do tempo. O crescimento do globo ocular e alterações no comprimento axial podem influenciar a trajetória refrativa da visão, predispondo, assim, as crianças que inicialmente eram hipermétropes a terminar o processo de emetropização de forma precoce e desenvolver miopia à medida que continuam a crescer.

Importância do acompanhamento contínuo: a descoberta dessa correlação destaca a importância de monitorizar de perto a visão das crianças ao longo do tempo. O facto de numa primeira avaliação não ter sido detetada miopia, não quer dizer que a criança não a possa desenvolver num momento posterior. Exames visuais regulares são essenciais para identificar qualquer mudança na refratividade ocular e permitir intervenções preventivas, se necessário. O diagnóstico precoce de miopia em desenvolvimento pode possibilitar a implementação de estratégias de gestão adequadas.

Fatores modificáveis e educação visual: além do acompanhamento clínico, fatores modificáveis, como o tempo gasto ao ar livre e práticas visuais saudáveis, desempenham um papel na redução do risco de miopia. Educar os pais, cuidadores e professores sobre a importância desses fatores pode contribuir significativamente para a promoção da saúde ocular infantil.

Perspetivas futuras e pesquisa contínua: a compreensão da relação entre hipermetropia infantil e miopia futura está em constante evolução. Novas pesquisas são necessárias para explorar mais a fundo os mecanismos subjacentes a essa transição refrativa e para desenvolver abordagens mais eficazes na prevenção da miopia em crianças inicialmente hipermetropes.

    Em síntese, é de extrema importância de reconhecer a potencial evolução da hipermetropia para miopia durante o crescimento da criança. O acompanhamento contínuo da visão, a compreensão dos fatores de risco e a implementação de estratégias preventivas são cruciais para garantir uma visão saudável ao longo da vida e promover o bem-estar ocular desde a infância até a idade adulta.

    Em conclusão, a hipermetropia, não é necessariamente algo negativo, na infância é uma parte intrínseca do processo de emetropização ocular. Compreender e monitorizar esse fenómeno é essencial para garantir uma visão saudável ao longo da vida. Desde os valores normais de hipermetropia até a necessidade de correção ótica e os potenciais desdobramentos futuros. Portanto, a atenção dedicada a essa jornada visual contribui para o bem-estar ocular e o desenvolvimento infantil global. A visão das crianças é uma dádiva preciosa, e ao entender e apreciar o processo de emetropização, podemos garantir que elas vejam o mundo com clareza e confiança. 

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