
Nem sempre é percetível durante a consulta de avaliação visual, a existência de um estado de sinusite, a menos que o paciente manifeste ou exponha alguns dos sintomas durante a anamnese. Por isso a questão que se impõe é:
A determinação da graduação é afetada por um episódio de sinusite aguda?
A resposta é sim, a determinação da graduação (ou erro refrativo) pode ser afetada durante um episódio agudo de sinusite, principalmente devido aos sintomas de desconforto ocular, pressão nos olhos, e possíveis alterações na superfície ocular ou na lubrificação dos olhos. Vamos então explicar em que medida é que isso aconte. Durante um episódio de sinusite aguda, a inflamação e a congestão nasais podem causar:
- Visão desfocada: A pressão ao redor dos olhos pode temporariamente afetar a nitidez da visão, e com isso impedir a determinação correta do erro refrativo para a melhor acuidade visual possível. Ou seja o aumentar ou diminuir a prescrição não vai ajudar a diminuir a sensação de desfocado, e pode gerar erros de graduação percetíveis após o episódio de sinusite.
- Acomodação Alterada: A dor e o desconforto podem interferir na capacidade dos olhos de se ajustarem e mobilizarem a acomodação corretamente. Devido a isso afeta a medição precisa do erro refrativo, sobretudo em idades jovens onde a capacidade acomodativa é elevada.
- Lacrimação Excessiva ou Olhos Secos: As alterações na lubrificação ocular podem também distorcer os resultados do teste de refração.
Devido a esses fatores, é geralmente recomendável adiar a determinação da graduação até que a sinusite aguda seja resolvida e os sintomas inflamatórios diminuam, permitindo uma avaliação mais precisa da visão.
Então e o que fazer nos caso em que a sinusite passou a ser crónica, qual a melhor altura para determinar o erro refrativo?
A sinusite crónica, que envolve inflamação persistente ou recorrente dos seios paranasais, pode ter um impacto prolongado na saúde ocular e, consequentemente, na precisão das medições de erro refrativo.
Certamente os pacientes com sinusite crónica, não podem deixar de atualizar a sua graduação, contudo devem ter alguns aspetos em consideração. Aqui estão algumas considerações para determinar o melhor momento para medir o erro refrativo em pacientes com sinusite crônica:
- Período de Menor Sintomatologia:
- É ideal realizar a medição do erro refrativo durante um período em que os sintomas de sinusite crónica estejam controlados ou em remissão. Isso pode ser durante um período em que o paciente não apresente a sintomatologia das crises agudas. Ou seja devem ser evitados os períodos das alergias, muito comuns no inicio da Primavera, devido á circulação de pólen.
- Tratamento Adequado da Sinusite:
- Garantir que o paciente está a ter tratamento adequado para controlar a sinusite crónica, como uso de corticosteroides nasais, descongestionantes. Um controlo adequado da inflamação dos seios pode ajudar a reduzir a influência negativa nos olhos.
- Avaliação de Condições Associadas:
- Verificar e tratar quaisquer condições oculares associadas, como síndrome do olho seco, que podem ser exacerbadas pela sinusite crónica e interferir na precisão da refração.
Recomendações Práticas
Para pacientes com sinusite aguda ou crónica, é importante escolher o momento adequado para determinar o erro refrativo, visando minimizar a interferência dos sintomas na medição.
A resolução da inflamação aguda ou o controle eficaz dos sintomas crónicos são essenciais para obter uma avaliação precisa e uma prescrição visual correta.
- Consultas Regulares: Agende consultas regulares com o seu optometrista, para monitorizar e ajustar a prescrição de óculos ou lentes de contato conforme necessário.
- Adie a Avaliação Durante sintomatologia aguda: Informe sempre o seu especialista da visão da sua condição de sinusite. Evite marcar consultas de refração durante períodos de exacerbação aguda da sinusite.






